sábado, 23 de abril de 2016

ORDENAÇÕES SACERDOTAIS

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
Domingo 17 de Abril de 2016

 Caríssimos irmãos!
Estes nossos filhos e irmãos foram chamados à ordem do presbiterado. Como bem sabeis o Senhor Jesus Cristo é o único Sumo Sacerdote do Novo Testamento, mas n’Ele também todo o povo santo de Deus foi constituído povo sacerdotal. Todavia entre todos os seus discípulos, o Senhor Jesus Cristo quer escolher alguns deles em particular para que, exercendo publicamente na Igreja em seu nome o ofício sacerdotal a favor de todos os homens e mulheres, continuem a sua missão pessoal de mestre, sacerdote e pastor.
Depois de madura reflexão, estamos agora para elevar à ordem dos presbíteros estes nossos irmãos, a fim de que ao serviço de Jesus Cristo, Mestre, Sacerdote, Pastor cooperem para edificar o Corpo de Cristo que é a Igreja em Povo de Deus e Templo santo do Espírito.
Com efeito, eles serão configurados com Jesus Cristo Sumo e Eterno Sacerdote, isto é, serão consagrados como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento e com este título, que os une no sacerdócio ao seu Bispo, serão pregadores do Evangelho, Pastores do Povo de Deus e presidirão às acções de culto, especialmente na celebração do sacrifício do Senhor.
Quanto a vós, filhos e irmãos dilectíssimos que estais para ser promovidos à ordem do presbiterado, considerai que, exercendo o ministério da Sagrada Doutrina, participareis da missão de Jesus Cristo, único Mestre. Dispensai a todos a Palavra de Deus, aquela Palavra que vós próprios recebestes com alegria. Fazei memória da vossa história, daquele dom da Palavra que o Senhor vos concedeu através da mãe, da avó — como diz são Paulo — dos catequistas e de toda a Igreja. Lede e meditai assiduamente a Palavra do Senhor para acreditar naquilo que lestes, ensinar o que aprendestes na fé e viver quanto ensinastes.
Por conseguinte, que a vossa doutrina seja alimento para o Povo de Deus, o perfume da vossa vida seja alegria e amparo para os fiéis de Jesus Cristo, a fim de que com a palavra e com o exemplo — palavra e exemplo caminham juntos — edifiqueis a casa de Deus que é a Igreja. Continuareis a obra santificadora de Jesus Cristo. Mediante o vosso ministério, o sacrifício espiritual dos fiéis é tornado perfeito porque unido ao sacrifício de Jesus Cristo que pelas vossas mãos, em nome de toda a Igreja, é oferecido de maneira incruenta sobre o altar na celebração dos Santos Mistérios.
Portanto reconhecei aquilo que fazeis. Imitai o que celebrais para que, participando do mistério da morte e ressurreição do Senhor, leveis a morte de Jesus Cristo nos vossos membros e caminheis com Ele em novidade de vida. Tende em vós mesmos a morte de Jesus Cristo e caminhai com Jesus Cristo em novidade de vida. Sem a cruz nunca encontrareis o verdadeiro Jesus e uma cruz sem Cristo não tem sentido.
Com o Baptismo agregareis novos fiéis ao Povo de Deus. Com o Sacramento da Penitência perdoareis os pecados em nome de Jesus Cristo e da Igreja. E, por favor, em nome do mesmo Jesus Cristo, o Senhor, e em nome da Igreja, peço-vos que sejais misericordiosos, muito misericordiosos. Com o óleo santo dareis alívio aos enfermos. Celebrando os ritos sagrados e elevando nas várias horas do dia a oração de louvor e de súplica, sereis a voz do Povo de Deus e da humanidade inteira.
Cientes de terdes sido escolhidos entre os homens. Escolhidos, não vos esqueçais disto. Escolhidos! Foi o Senhor quem vos chamou, um por um. Escolhidos entre os homens e constituídos em seu favor e não em meu favor!
Em comunhão filial com o vosso Bispo, comprometei-vos a unir os fiéis numa única família — para os conduzir a Deus Pai por meio de Jesus Cristo no Espírito Santo. Tende sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor que não veio para ser servido, mas para servir; para procurar e salvar aquilo que estava perdido.


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sábado, 16 de abril de 2016

MISSA NO "CENTRO ALETTI"

Papa Francisco
MISSA NO "CENTRO ALETTI"
Capela "Redemptoris Mater"
sexta-feira, abril 8, 2016
[ Multimedia ]

 (A partir de: L'Osservatore Romano , E todos os dias, Ano CLVI, n.082, 2016/04/10)
A estrada de serviço
O caminho do cristão não é para alpinistas ou aqueles que seguem o deus do dinheiro e buscam oportunidades de se mostrarem na frente dos outros: o testemunho de Jesus Cristo pede humildade, humilhação, mesmo perseguição e sofrimento. O Papa Francisco lembrou durante a missa celebrada no Vaticano, na capela Redemptoris Mater na tarde desta sexta-feira, 8 de Abril. 
A ocasião foi oferecida pelo vigésimo quinto aniversário do centro de estudo e pesquisa Ezio Aletti, fundado pelo jesuíta Marko Ivan Rupnik imediatamente após a queda dos regimes comunistas na Europa Oriental e os vinte anos de vida do Ateliê de Arte Espiritual ligado ao Centro e denominado em memória do Cardeal Tomáš Špidlík. Entre os muitos concelebrantes estavam o Pai Rupnik (autor, entre outras coisas, dos mosaicos que decoram a capela no Palácio Apostólico) e o jesuíta Milan Zust, superior da comunidade religiosa do Centro. Havia cerca de oitenta pessoas.
Após a liturgia do dia, o Papa continuou a sua reflexão iniciada em missas recentes celebradas em Santa Marta e aprofundou o conceito de testemunho cristão. Um testemunho que - como também apontou pela passagem dos Actos dos Apóstolos que narra a prisão de Pedro e João, após a cura do homem coxo em Jerusalém - leva a graça do Espírito Santo. Ninguém pode dar testemunho sozinho. Juntamente com o Espírito, o cristão também será capaz de sofrer afronta e perseguição no ensino e proclamando que Jesus é o Cristo.
Não devemos - explicou o Papa - pensar numa espécie de espiritualidade masoquista que acolhe o sofrimento e a dor, mas temos de reconhecer e fazer a sua própria espiritualidade do Reino de Deus, que é encontrada em Jesus Cristo que nunca toma a estrada da glória: quando eles querem fazê-lo rei, ele retirou-se para a montanha. O seu exemplo é o da humildade, do despojamento, do serviço: somente aqueles que seguem este caminho podem encontrar paz e felicidade. Portanto mesmo aqueles que não são chamados a viver a experiência da perseguição e derramar o sangue pela fé e ainda vivem tranquilamente sem julgar, em mansidão, humanamente falando, perdem e não ganham. Em suma, numa hipotética "declaração", o testemunho é sempre uma perda. Mas, além disso, não se é cristão a ganhar posições aos olhos do mundo.
A lição, concluiu ele, é Maria. Neste sentido, Francisco contou como ele gosta de recitar o rosário diante do ícone de Nossa Senhora e do Menino, em que Maria parece estar no centro, quando na verdade ela usa as mãos como uma espécie de escada através da qual Jesus pode descer para ser um de nós. O centro é sempre Jesus Cristo que desceu para caminhar com os homens. Aí você está convidado a seguir o mesmo caminho do serviço.


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sábado, 9 de abril de 2016

JUBILEU DA DIVINA MISERICÓRDIA

JUBILEU DA DIVINA MISERICÓRDIA
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Praça São Pedro
Domingo, 3 de Abril de 2016

 «Muitos outros sinais miraculosos realizou ainda Jesus Cristo na presença dos seus discípulos, que não estão escritos neste livro» (Jo20, 30). O Evangelho é o livro da misericórdia de Deus que havemos de ler e reler porque tudo o que Jesus Cristo disse e fez é expressão da misericórdia do Pai. Nem tudo, porém foi escrito; o Evangelho da misericórdia permanece um livro aberto, onde se há-de continuar a escrever os sinais dos discípulos de Jesus Cristo, gestos concretos de amor, que são o melhor testemunho da misericórdia. Todos somos chamados a tornar-nos escritores viventes do Evangelho, portadores da Boa Nova a cada homem e mulher de hoje. Podemos fazê-lo praticando as obras corporais e espirituais de misericórdia que são o estilo de vida do cristão. Através destes gestos simples e vigorosos, mesmo se por vezes invisíveis, podemos visitar aqueles que passam necessidade, levando a ternura e a consolação de Deus. Deste modo damos continuidade ao que fez Jesus Cristo no dia de Páscoa quando derramou nos corações assustados dos discípulos a misericórdia do Pai, efundindo sobre eles o Espírito Santo que perdoa os pecados e dá a alegria.
Mas, na narração que ouvimos, aparece um contraste evidente: por um lado, temos o medo dos discípulos que fecham as portas da casa; por outro, temos a missão, por parte de Jesus Cristo que os envia ao mundo para levarem o anúncio do perdão. O mesmo contraste se pode verificar também em nós: uma luta interior entre o fechamento do coração e a chamada do amor para abrir as portas fechadas e sair de nós mesmos. Jesus Cristo, que por amor entrou nas portas fechadas do pecado, da morte e da mansão dos mortos, deseja entrar também em cada um para abrir de par em par as portas fechadas do coração. Ele que venceu, com a ressurreição, o medo e o temor que nos algemam, quer escancarar as nossas portas fechadas e enviar-nos. A estrada que o Mestre ressuscitado nos aponta é estrada de sentido único, segue-se apenas numa direcção: sair de nós mesmos, sair para testemunhar a força sanadora do amor que nos conquistou. Muitas vezes vemos, diante de nós, uma humanidade ferida e assustada que tem as cicatrizes do sofrimento e da incerteza. Hoje, face ao seu doloroso clamor de misericórdia e paz, ouçamos como que dirigido a cada um de nós o convite feito confiadamente por Jesus Cristo: «Assim como o Pai Me enviou também Eu vos envio a vós (Jo 20, 21).
Cada doença pode encontrar na misericórdia de Deus um auxílio eficaz. Com efeito, a sua misericórdia não se detém à distância: quer vir ao encontro de todas as pobrezas e libertar de tantas formas de escravidão que afligem o nosso mundo. Quer alcançar as feridas de cada um para medicá-las. Ser apóstolos de misericórdia significa tocar e acariciar as suas chagas, presentes hoje também no corpo e na alma de muitos dos seus irmãos e irmãs. Ao cuidar destas chagas, professamos Jesus Cristo, tornamo-Lo presente e vivo; permitimos a outros que palpem a sua misericórdia e O reconheçam. Eis a missão que nos é confiada. Inúmeras pessoas pedem para ser escutadas e compreendidas. O Evangelho da misericórdia que se deve anunciar e escrever na vida, procura pessoas com o coração paciente e aberto, «bons samaritanos» que conhecem a compaixão e o silêncio perante o mistério do irmão e da irmã; pede servos generosos e alegres que amam gratuitamente sem nada pretender em troca.
«A paz esteja convosco!» (Jo 20, 21): é a saudação que Jesus Cristo leva aos seus discípulos; é a mesma paz que esperam os homens e mulheres do nosso tempo. Não é uma paz negociada nem a suspensão de algo errado: é a sua paz, a paz que brota do coração do Ressuscitado, a paz que venceu o pecado, a morte e o medo. É a paz que não divide, mas une; é a paz que não nos deixa sozinhos, mas faz-nos sentir acolhidos e amados; é a paz que sobrevive no sofrimento e faz florescer a esperança. Esta paz, como no dia de Páscoa, nasce e renasce sempre do perdão de Deus que tira a ansiedade do coração. Ser portadora da sua paz: esta é a missão confiada à Igreja no dia de Páscoa. Nascemos em Jesus Cristo como instrumentos de reconciliação para levar a todos o perdão do Pai, para revelar o seu rosto de amor nos sinais da misericórdia.
No Salmo Responsorial, foi proclamado: «O seu amor é para sempre» (118/117, 2). É verdade, a misericórdia de Deus é eterna; não acaba, não se esgota, não se dá por vencida diante das portas fechadas e nunca se cansa. Neste «para sempre», encontramos apoio nos momentos de provação e fraqueza porque temos a certeza de que Deus não nos abandona: permanece connosco para sempre. Agradecemos-Lhe este amor tão grande que nos é impossível compreender. É tão grande! Peçamos a graça de nunca nos cansarmos de tomar a misericórdia de Deus e levá-la pelo mundo: peçamos para ser misericordiosos, a fim de irradiar por todo o lado a força do Evangelho, para escrever aquelas páginas do Evangelho que o apóstolo João não escreveu.

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sábado, 2 de abril de 2016

VIGÍLIA PASCAL NA NOITE SANTA

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
Sábado Santo, 26 de Março de 2016

 «Pedro (…) correu ao sepulcro» (Lc 24, 12). Quais poderiam ser os pensamentos que agitavam a mente e o coração de Pedro durante esta corrida? O Evangelho diz-nos que os Onze, incluindo Pedro, não acreditaram no testemunho das mulheres, no seu anúncio pascal. Antes, aquelas «palavras pareceram-lhes um desvario» (v. 11). Por isso, no coração de Pedro, reinava a dúvida, acompanhada por muitos pensamentos negativos: a tristeza pela morte do Mestre amado e a decepção por tê-Lo renegado três vezes durante a Paixão.
Mas há um detalhe que assinala a sua transformação: depois de que ouvira as mulheres sem ter acreditado nelas, Pedro «pôs-se a caminho» (v. 12). Não ficou sentado a pensar, não ficou fechado em casa como os outros. Não se deixou enredar pela atmosfera pesada daqueles dias nem aliciar pelas suas dúvidas; não se deixou absorver pelos remorsos, o medo e as maledicências sem fim que não levam a nada. Procurou Jesus Cristo; não a si mesmo. Preferiu a via do encontro e da confiança e, assim como era, pôs-se a caminho e correu ao sepulcro, donde voltou depois «admirado» (v. 12). Isto foi o início da «ressurreição» de Pedro, a ressurreição do seu coração. Sem ceder à tristeza nem à escuridão, deu espaço à voz da esperança: deixou que a luz de Deus entrasse no seu coração, sem a sufocar.
As próprias mulheres que saíram de manhã cedo para fazer uma obra de misericórdia, ou seja, levar os perfumes ao sepulcro, viveram a mesma experiência. Estavam «amedrontadas e voltaram o rosto para o chão», mas sobressaltaram-se ao ouvir estas palavras do anjo: «Porque buscais entre os mortos Aquele que está vivo?» (cf. v. 5).
Também nós, como Pedro e as mulheres, não podemos encontrar a vida, permanecendo tristes e sem esperança e permanecendo aprisionados em nós mesmos. Mas abramos ao Senhor os nossos sepulcros selados – cada um de nós os conhece - para que Jesus Cristo entre e dê vida; levemos-Lhe as pedras dos ressentimentos e os penedos do passado, as rochas pesadas das fraquezas e das quedas. Ele deseja vir e tomar-nos pela mão para nos tirar para fora da angústia. Mas a primeira pedra a fazer rolar para o lado nesta noite é esta: a falta de esperança, que nos fecha em nós mesmos. O Senhor nos livre desta terrível armadilha: sermos cristãos sem esperança que vivem como se o Senhor não tivesse ressuscitado e o centro da vida fossem os nossos problemas.
Vemos e continuaremos a ver problemas perto e dentro de nós. Sempre existirão, mas esta noite é preciso iluminar tais problemas com a luz do Ressuscitado, de certo modo «evangelizá-los». Evangelizar os problemas. Não permitamos que a escuridão e os medos atraiam o olhar da alma e se apoderem do coração, mas escutemos a palavra do Anjo: o Senhor «não está aqui; ressuscitou!» (v. 6); Ele é a nossa maior alegria, está sempre ao nosso lado e nunca nos decepcionará.
Este é o fundamento da esperança, que não é mero optimismo, nem uma atitude psicológica ou um bom convite a ter coragem. A esperança cristã é um dom que Deus nos concede, se sairmos de nós mesmos e nos abrirmos a Ele Esta esperança não decepciona porque o Espírito Santo foi infundido nos nossos corações (cf. Rm 5, 5). O Consolador não faz com que tudo apareça bonito, não elimina o mal com a varinha mágica, mas infunde a verdadeira força da vida que não é a ausência de problemas, mas a certeza de sermos sempre amados e perdoados por Jesus Cristo que por nós venceu o pecado, venceu a morte, venceu o medo. Hoje é a festa da nossa esperança, a celebração desta certeza: nada e ninguém poderá jamais separar-nos do Seu Amor (cf. Rm 8, 39).
O Senhor está vivo e quer ser procurado entre os vivos. Depois de O ter encontrado, cada um é enviado por Ele para levar o anúncio da Páscoa, para suscitar e ressuscitar a esperança nos corações pesados de tristeza, em quem sente dificuldade para encontrar a luz da vida. Há tanta necessidade disto hoje. Esquecendo de nós mesmos, como servos jubilosos da esperança, somos chamados a anunciar o Ressuscitado com a vida e através do amor; caso contrário, seremos uma estrutura internacional com um grande número de adeptos e boas regras, mas incapaz de dar a esperança de que o mundo está sedento.
Como podemos alimentar a nossa esperança? A Liturgia desta noite dá-nos um bom conselho. Ensina-nos a recordar as obras de Deus. Com efeito, as leituras narraram-nos a sua fidelidade, a história de seu amor por nós. A Palavra viva de Deus é capaz de nos envolver nesta história de amor, alimentando a esperança e reavivando a alegria. Isto mesmo nos lembra também o Evangelho que escutamos. Os anjos, para dar esperança às mulheres, dizem: «Lembrai-vos de como [Jesus Cristo] vos falou» (v. 6). Fazer memória das palavras de Jesus Cristo, fazer memória de tudo aquilo que Ele fez na nossa vida. Não esqueçamos a sua Palavra e as suas obras, senão perderemos a esperança e nos tornaremos cristãos sem esperança; por isso façamos memória do Senhor, da sua bondade e das suas palavras de vida que nos tocaram; recordemo-las e façamo-las nossas, para sermos sentinelas da manhã que sabem vislumbrar os sinais do Ressuscitado.
Amados irmãos e irmãs, Jesus Cristo ressuscitou! E nós temos a possibilidade de abrir-nos e receber o seu dom de Esperança. Abramo-nos à esperança e ponhamo-nos a caminho; a memória das suas obras e das suas palavras seja a luz resplandecente que orienta os nossos passos na confiança, rumo àquela Páscoa que não terá fim.


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SANTA MISSA DA ÚLTIMA CEIA DO SENHOR

SANTA MISSA  IN COENA DOMINI (ÚLTIMA CEIA DO SENHOR)
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
C.A.R.A. Auxilium
 Castelnuovo di Porto (Roma)
Quinta-feira Santa, 24 de março de 2016

 Os gestos falam mais do que as imagens e as palavras. Os gestos. Há, nestas Palavra de Deus que lemos, dois gestos: Jesus Cristo que serve, que lava os pés. Ele, que era o chefe, lava os pés aos outros, aos seus, aos mais pequeninos. O segundo gesto: Judas que vai ter com os inimigos de Jesus Cristo, com aqueles que não querem a paz com Jesus, para receber o dinheiro com o qual o atraiçoou, as 30 moedas de prata. Dois gestos. Também hoje há dois gestos: o primeiro é o desta tarde: todos nós, juntos, muçulmanos, hindus, católicos, coptas, evangélicos, mas irmãos, filhos do mesmo Deus, que desejamos viver em paz, integrados. O outro gesto é o de há três dias: um gesto de guerra, de destruição numa cidade da Europa, de gente que não quer viver em paz. Mas por detrás daquele gesto, como por detrás de Judas, havia outros. Por detrás de Judas estavam aqueles que deram o dinheiro para que Jesus Cristo fosse entregue. Por detrás daquele gesto de há três dias naquela capital europeia, estão os fabricantes, os traficantes de armas que querem o sangue, não a paz; querem a guerra, não a fraternidade.
Dois gestos iguais: por um lado Jesus Cristo lava os pés, enquanto Judas vende Jesus Cristo por dinheiro e, por um lado vós, todos juntos, diversas religiões, culturas diferentes, mas filhos do mesmo Pai, irmãos, enquanto aqueles miseráveis compram as armas para destruir a fraternidade. Hoje, neste momento, quando eu fizer o mesmo gesto de Jesus Cristo de lavar os pés a vós doze, todos nós estamos a fazer o gesto da fraternidade e todos nós dizemos: «Somos diversos, somos diferentes, temos culturas e religiões diversas, mas somos irmãos e desejamos viver em paz». E este é o gesto que eu faço convosco. Cada um de nós tem uma história de vida, cada um de vós carrega uma história consigo: tantas cruzes, tantos sofrimentos, mas também tem um coração aberto que deseja a fraternidade. Cada um, na sua língua religiosa, reze ao Senhor para que esta fraternidade contagie o mundo, para que não haja as 30 moedas para matar o irmão, para que haja sempre a fraternidade e a bondade. Assim seja.

No final da missa, antes de saudar cada um dos hóspedes do Centro, o Santo Padre proferiu as seguintes palavras.
Agora vos saudarei um por um, de coração. Agradeço-vos por este encontro. E recordemo-nos e mostremos que é bom viver juntos como irmãos, com culturas, religiões e tradições diferentes: todos somos irmãos! E isto tem um nome: PAZ E AMOR. Obrigado!

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