sábado, 24 de setembro de 2016

200.º ANIVERSÁRIO DA GUARDA PAPAL DO VATICANO

SANTA MISSA POR OCASIÃO DO 200.º ANIVERSÁRIO DA GUARDA PAPAL DO VATICANO
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana 
Domingo, 18 de setembro de 2016

 As leituras bíblicas deste domingo apresentam-nos três tipos de pessoas: o explorador, o trapaceiro e o homem fiel.
O explorador é aquele do qual nos fala o profeta Amós, na primeira leitura (cf. 8, 4-7): trata-se de uma pessoa obcecada por uma forma maníaca de lucro, até ao ponto de se sentir irritado e impaciente em relação aos dias litúrgicos de descanso porque interrompem o ritmo frenético do comércio. A sua única divindade é o dinheiro e o seu agir é dominado pela fraude e pela exploração. Quem paga as consequências são sobretudo os pobres e os indigentes, reduzidos à escravidão e cujo preço é igual ao de um par de sandálias (cf. v. 6).
Infelizmente é um tipo humano que se encontra em todas as épocas e até hoje existem muitos.
O trapaceiro é o homem que não conhece a fidelidade. O seu método consiste em fazer trapaças. É dele que nos fala o Evangelho, com a parábola do administrador desonesto (cf. Lc 16, 1-8). Como chegou este administrador ao ponto de enganar, de roubar ao seu patrão? De um dia para o outro? Não! Gradualmente. Talvez um dia concedendo uma gorjeta aqui, no dia seguinte com um suborno ali e assim, pouco a pouco, chega à corrupção. Na parábola, o senhor elogia o administrador desonesto pela sua astúcia (dom das trevas). Mas esta é uma astúcia totalmente mundana, fortemente pecadora que faz muito mal! Por outro lado, existe uma sabedoria cristã que leva a fazer as coisas com habilidade, mas não com o espírito do mundo: fazer as coisas com honestidade. E isto é bom! É o que diz Jesus Cristo quando convida a ser astutos como as serpentes e simples como as pombas: unir estas duas dimensões é uma graça do Espírito Santo, uma graça que devemos pedir. Até hoje existem muitos destes trapaceiros, corruptos... Impressiona-me ver como a corrupção está disseminada por toda a parte.
O terceiro é o homem fiel. Podemos encontrar o perfil do homem fiel na segunda leitura (cf. 1 Tm 2, 1-8). Com efeito, é aquele que segue Jesus Cristo, o qual se entregou a si mesmo em resgate por todos, dando o seu testemunho em conformidade com a vontade do Pai (cf. vv. 5-6). O homem fiel é um homem de oração, do dúplice sentido que reza pelo próximo (e deve rezar também e principalmente por si) e confia na prece dos outros por ele, para poder «levar uma vida calma e tranquila, digna e consagrada a Deus» (v. 2). O homem fiel pode caminhar de cabeça erguida.
Também o Evangelho nos fala do homem fiel: quem sabe ser fiel que o seja tanto nas coisas de pouca monta como nas grandes (cf. Lc 16, 10).
A Palavra de Deus leva-nos a uma escolha final: «Nenhum servidor pode servir a dois senhores: ou há-de odiar a um e amar o outro ou há-de estimar um e desprezar o outro» (Lc 16, 13). O trapaceiro gosta do engano e odeia a honestidade. O trapaceiro gosta de subornos, de pactos obscuros, daqueles acordos que se fazem na escuridão. E o pior é que ele se julga honesto. O trapaceiro gosta de dinheiro, gosta de riquezas: para ele as riquezas são um ídolo. Ele não se preocupa — como diz o profeta — em espezinhar os pobres. Os trapaceiros são aqueles que dispõem das grandes «indústrias de trabalho escravo». E hoje no mundo o trabalho escravo é um estilo de gestão.
Caros irmãos, vós que hoje celebrais a vossa missão, qual é a vossa tarefa? Vós que hoje celebrais duzentos anos de serviço, inclusive contra a fraude, contra os trapaceiros, contra os exploradores... Com as palavras de São Paulo podemos dizer: «Que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade» (1 Tm 2, 4). A vossa tarefa é evitar que se façam más acções como as do explorador e do trapaceiro. O vosso trabalho consiste em defender e promover a honestidade e, muitas vezes, sois mal pagos. Agradeço-vos a vossa vocação, estou-vos grato pelo trabalho que levais a cabo. Sei que muitas vezes deveis lutar contra as tentações de quantos vos querem «comprar» e sinto-me orgulhoso de saber que o vosso estilo é dizer: «Não, eu não faço isto». Agradeço-vos este serviço de dois séculos, enquanto desejo para todos vós que a sociedade do Estado do Vaticano, que a Santa Sé, desde o último até ao máximo, reconheçam o vosso serviço, um serviço de salvaguarda, um serviço que procura não apenas fazer com que as coisas funcionem de modo correcto, mas também de o fazer com caridade, com ternura e até arriscando a própria vida. Que o Senhor vos abençoe por tudo isto. Obrigado!


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